Metodologia
Regra que mora na memória não sobrevive à pressão.
O Contrafluxo não é disciplina prometida. É arquitetura: decisões difíceis, resolvidas a frio, antes de precisarem ser tomadas sob pressão.
Seção 1
O framework de decisão
Três condições. Nenhum julgamento no meio.
Toda entrada exige alinhamento simultâneo de três condições independentes, verificadas em candle fechado. Candle em formação não gera sinal. Quando qualquer condição falta, não existe ambiguidade: não existe operação. O sistema foi desenhado para que a pergunta "isso é sinal ou quase-sinal?" nunca precise ser respondida em tempo real.
Seção 2
Até onde isso escala
Warren Buffett disse, mais de uma vez, que garantiria 50% ao ano operando com um milhão de dólares (mas não com um bilhão). O argumento é de capacity: fundo grande demais move o próprio preço contra si, e fica restrito a operar onde cabe capital grande, ali onde as distorções interessantes já não existem.
O WIN, instrumento operado aqui, é um dos contratos mais líquidos do Brasil, com volume diário que costuma ficar na casa dos milhões (chegando a dezenas de milhões em dias de alta volatilidade). Isso muda a conta: não é provável que centenas, ou mesmo milhares, de contratos movam esse mercado sozinhos. O teto clássico de Buffett, aqui, fica bem mais alto do que a intuição sugere.
O teto real é outra coisa, e ainda não tem resposta. Há ao menos três camadas: quanto capital sustenta N contratos sem risco de ruína (mensurável, já parcialmente respondido pela regra de escala do fundo), quanto slippage aparece ao aumentar o lote de uma ordem específica (ainda não medido) e se a mesma disciplina que segura um contrato segura dez, ou cem (a pergunta mais interessante das três, e a única que este projeto já vem testando, um degrau de cada vez, desde o primeiro dia).
A fronteira de eficiência do Contrafluxo não é um número fixo. É um roadmap de pesquisa.
Seção 3
Gestão de Risco
Risco não é evitado. É dimensionado, em camadas.
Cada operação nasce com o pior desfecho já definido: alvo de 150 pontos, stop de 300, proporção de um para dois. Quando o preço avança o suficiente antes de reverter, esse stop nunca chega a ser testado. A trava se desloca para o zero, e o pior resultado possível deixa de ser prejuízo e vira empate.
O dia recebe o mesmo tratamento que a operação. Dois stops cheios encerram o pregão de forma automática, configurada na própria plataforma antes da abertura. Não é uma decisão a ser tomada no calor do segundo stop (decisão tomada ali costuma sair errada). É um limite que já existia antes de o dia começar.
A maioria das regras de tamanho de posição olha só para o capital: quanto dinheiro existe, quantos contratos ele sustenta. Aqui, capital é condição necessária, nunca suficiente. Promover o tamanho da posição exige patrimônio acima de um piso e um número mínimo de sessões consecutivas sem violação de processo. Uma violação zera a contagem, mesmo em dia de resultado positivo. Tamanho maior não é o que o capital permite. É o que o processo, sustentado, autoriza.
A única assimetria deliberada do sistema: reduzir risco nunca precisa de justificativa. Aumentar nunca é uma decisão do momento.